Bom mesmo é quem faz música no começo de tudo (ali na faixa de ’60-’70), com poucos recursos e, tirando leite de pedra (literalmente), cria discos que mesmo com toda a nossa vasta gama de tecnologia ainda seguem representando uma meca exemplar para os rumos que a música vai tomar.

Bom mesmo é quem faz fama cedo com uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos, mas que quando sai dela (e pareceu chegar ao fim de algo que antes era brilhante), ficou olhando para o nada até bolar a próxima ideia. Ser relevante sozinho, em vulga carreira solo.

Bom é quem está dentro do Groove há mais de 40 anos e soube (como poucos) ir dançando conforme a música da época, ou conforme sua nova vontade de criação. Bom não, excelente. Ótimo é o Robert Plant, e mais oportuno ainda é seu novo disco, o décimo de estúdio, o atualizado, Folk e eletronicamente chill out, e claro, Rock ‘N’ Roll – Lullaby And… The Ceaseless Roar, lançado dia 8 de setembro.

Robert-Plant-Lullaby-and-The-Ceaseless-Capa

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Track List

1. Little Maggie
2. Rainbow
3. Pocketful Of Golden
4. Embrace Another Fall
5. Turn It Up
6. A Stolen Kiss
7. Somebody There
8. Poor Howard
9. House Of Love
10. Up On The Hollow Hill
11. Arbaden (Maggie’s Baby)

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Line Up

Robert Plant (vocal)
Justin Adams (guitarra/vocal/percussão)
Liam “Skin” Tyson (banjo/guitarra/vocal)
John Baggott (teclado/piano/vocal)
Juldeh Camara (percussão/vocal)
Billy Fuller (baixo)
Dave Smith (bateria)

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http://youtu.be/TMmjZjh-pF4

Quando fiquei sabendo deste novo projeto confesso que não fiquei muito animado. Plant tem grandes trabalhos solos, aliás todos mantém um belo e considerável padrão de qualidade, só que eu não esperava por uma mudança sonora, ainda mais porque em tempos recentes o cantor estava mergulhado em pesquisas dos primórdios da música Country, e em seu disco mais recente veio com um ar meio Bluesy.

Mas não, quando dei a primeira orelhada fiquei muito impressionado, o senhor Roberto Planta não só mudou seu som como, aos 66 anos de idade, fez questão de experimentar. Esqueça tudo que ele já faz na vida, mas ao mesmo tempo não, deixe resquícios de Heavy e temperem com Folk e uma xícara de chá com o Portishead, esse é o som conceito de Lullaby And… The Ceaseless Roar.

Robert Plant

Só que cuidado com essa frase, o som ficou com um clima à la Portishead e etc e tal, mas não esperem aquele clima de imersão densa, Plant usou o conceito e o resto é sua marca registrada, sons marroquinos, instrumental completamente no tom de sua voz, doses de peso e muito brilhantismo, talvez seu disco mais intimista no quesito interpretativo.

Abra o disco com Little Maggie e note essa transformação do cachinhos dourados. Perceba que o toque eletrônico deixa o disco mais revigorado, aposto que se esse banjo estivesse mais “na cara” eu e você não estaríamos citando-discutindo essa faixa. Depois do tema test-drive, Rainbow surge, e com esta temos a faixa conceito, o disco é todo nessa pegada, a voz de Plant baila entre o mar de experimentos e nuances viajantes.

E o mestre mostra que, mesmo em um habitat de alta densidade sonora, que o Folk sempre tem seu lugar, e que o clima de contos épicos só ajuda o som a ficar melhor, vide Pocketful Of Golden e a minha preferida do disco, Embrace Another Fall, que vocal!

Esse disco também surge em um momento onde muito se fala de Led Zeppelin, sei que é uma merda ficar aqui chovendo no molhado sobre esta bendita reunião, mas por mais insano que pareça este que vos escreve apoia o reverendo Robert.

Ele não entrou na pilha e resolveu responder com música, e esta aqui é de excelente qualidade, fico triste por saber que não vou ver o Led, mas sei que com essa tour posso ver o Plant. Disco explorando aspectos de um sensorial bipolarmente dopado (Turn It Up), baladas mais lindas que gotas de chuva fazendo a curva na janela (A Stolen Kiss, Somebody There) e vários outros temas que vão tirar um sorriso do ouvinte, o principal papel da música, e destes misteriosos parenteses. Grande trabalho Sir!

Guilherme Espir

Publicitário em formação, zappamaníaco e escritor de fundo de quintal fissurado em música tal qual um viciado à espera da próxima dose, neste caso aguardando em abstinência para o próximo disco.