Glauber-Rocha

Glauber de Andrade Rocha – (14 de março de 1939 – 22 de agosto de 1981). Em homenagem ao aniversário do revolucionário cineasta brasileiro fizemos esta pesquisa e disponibilizamos aqui todos os seus filmes que estão hospedados no youtube.

Sempre com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, Glauber foi um feroz crítico da sociedade, sendo patrulhado tanto pela direita como pela esquerda brasileira. Foi um dos principais nomes do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro fortemente influenciado pelo neo-realismo italiano e pela nouvelle vague francesa.

Com “Barravento” conquistou o prêmio no Festival Internacional de Cinema da Tchecoslováquia, em 1963. Um ano depois, com “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Glauber conquistou mais dois prêmios: o Grande Prêmio no Festival de Cinema Livre da Itália e o Prêmio da Crítica no Festival Internacional de Cinema de Acapulco.

Terra em Transe, de 1967 foi o filme que impulsionou a carreira de Glauber Rocha. No longa-metragem, conquistou o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes, o Prêmio Luis Buñuel na Espanha e o Golfinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio de Janeiro. O filme seguinte da carreira de Glauber, “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” foi também muito bem premiado, recebendo o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, outra vez, o Prêmio Luiz Buñuel na Espanha.

“Arte é, aliás, símbolo, metáfora. Arte é a dimensão do sonho, é a dimensão anárquica da matéria onírica” (Glauber Rocha)

Filmes de Glauber Rocha

Veja abaixo os filmes de Glauber Rocha direto do youtube. Favorite-os, pois são muitos e muito bons.

Pátio (1959)

Primeiro filme de Glauber, curta-metragem experimental com 11 minutos de duração rodado na Bahia. Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham. Belos planos de mãos e rostos são montados em alternância com planos de vegetação tropical e do mar

Barravento (1962)

Numa aldeia de pescadores de xeréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. Firmino (Antônio Pitanga) é um antigo morador, que foi para Salvador na tentativa de escapar da pobreza. Ao retornar ele sente atração por Cota (Luíza Maranhão), ao mesmo tempo em que não consegue esquecer sua antiga paixão, Naína (Lucy Carvalho), que, por sua vez, gosta de Aruã (Aldo Teixeira). Firmino encomenda um despacho contra Aruã, que não é atingido. O alvo termina sendo a própria aldeia, que passa a ser impedida de pescar.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Manuel (Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes (Mílton Roda) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães). O casal se junta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim do sofrimento através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Porém ao presenciar a morte de uma criança Rosa mata o beato. Simultaneamente Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a serviço da Igreja Católica e dos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato.

Amazonas, Amazonas (1965)

Primeiro filme a cores de Glauber Rocha, a produção feita por encomenda começa como um documentário clássico sobre as belezas e riquezas da região amazônica. Até que a verve glauberiana irrompe tanto na conformação do quadro quanto na locução abertamente nacionalista.

Maranhão 66 (1966)

Curta de Glauber Rocha, que originalmente fora encomendada por José Sarney em sua posse pelo governo do Estado do Maranhão em 66. No entanto, enquanto Sarney, em um exercício retórico, se comprometia solenemente a acabar com as mazelas do estado, o filme mostrava as mesmas: casas miseráveis, hospitais infectos, vítimas da fome ou da tuberculose.

Terra em Transe (1967)

Num país fictício chamado Eldorado, o jornalista e poeta Paulo (Jardel Filho) oscila entre diversas forças políticas em luta pelo poder. Porfírio Diaz (Paulo Autran) é um líder de direita, político paternalista da capital litorânea de Eldorado. Dom Felipe Vieira (José Lewgoy) é um político populista e Julio Fuentes (Paulo Gracindo), o dono de um império de comunicação. Em uma conversa com a militante Sara (Glauce Rocha), Paulo conclui que o povo de Eldorado precisa de um líder e que Vieira tem os pré-requisitos para a missão. Grande clássico do Cinema Novo, o filme faz duras críticas à ditadura.

O Dragão da Maldade Contra o Santo (1969)

Numa cidadezinha chamada Jardim das Piranhas aparece um cangaceiro que se apresenta como a reencarnação de Lampião. Seu nome é Coirana. Anos depois de ter matado Corisco, Antônio das Mortes (personagem de Deus e o Diabo na Terra do Sol) vai à cidade para ver o cangaceiro. É o encontro dos mitos, o início do duelo entre o dragão da maldade contra o santo guerreiro. Outros personagens vão povoar o mundo de Antônio das Mortes. Entre eles, um professor desiludido e sem esperanças, um coronel com delírios de grandeza, um delegado com ambições políticas  e uma linda mulher, Laura, vivendo uma trágica solidão.

O Leão de Sete Cabeças (1970)

Pablo, guerrilheiro latino-americano, e Zumbi, líber negro rebelde, unem-se para libertar um país africano (ou, quem sabe, todo o continente) a ferro, fogo e sangue. No processo revolucionário que desencadeiam, eles enfrentam o mercenário alemão que, auxiliado pelo agente norte-americano e pelo assessor português, governa em nome da misteriosa Marlene.

Trecho:

Cabeças Cortadas (1970)

Dentro de um castelo, em alguma parte do Terceiro Mundo, Diaz, uma espécie de rei sem coroa, tem lembranças delirantes. Em sonho, realiza uma viagem, escraviza índios, trabalhadores e camponeses. Nessa viagem, descobre suas origens. Estão em Eldorado, onde ele tem grande poder político. Diaz tem novas visões: suas vítimas ameaçam destruí-lo.

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Câncer (1972)

Nas palavras de Glauber Rocha: “O filme não tem história. São três personagens dentro de uma ação violenta. O que eu estava buscando era fazer uma experiência de técnica, do problema da resistência de duração do plano cinematográfico. Nele se vê como a técnica intervém no processo cinematográfico. Resolvi fazer um filme em que cada plano durasse um chassi, e estudar a quase-eliminação da montagem quando existe uma ação verbal e psicológica dentro da mesma tomada.”

Claro (1975)

Filmado na capital da Itália em 1975, tendo como cenário e a cultura romana como alvo, ”Claro” não tem enredo narrativo e uma estrutura tradicional, misturando ópera (sobretudo a partir da trilha musical que reúne Bellini e Villa-Lobos), documentário, filme-testemunho e ensaio. A presença no elenco do polêmico realizador italiano Carmelo Bene e da atriz francesa Juliet Berto valorizam um filme irreverente, provocativo, um dos mais autorais de Glauber e no qual sua assinatura indelével se corporifica a cada plano.

Di Cavalcanti Di Glauber (1977)

Quando o pintor brasileiro Emiliano Di Cavalcanti morreu, Glauber Rocha foi ao funeral com uma câmera na mão e uma ideia (discutível) na cabeça. Glauber filmou o enterro, o corpo no caixão, enquanto a família de Di, aos berros, pedia para ele ir embora. Ao fundo, tocava o samba-funk “Umbabarauma, Homem Gol”, na voz de Jorge Ben Jor. Premiado no festival de Cannes, mais tarde o filme foi, a pedido dos familiares de Di, proibido pela justiça brasileira. Os familiares alegaram que Glauber desrespeitou o funeral e transformou aquele momento sagrado num carnaval.

Jorge Amado no Cinema (1978)

Jorge Amado é filmado em sua casa, rodeado por sua numerosa família; numa livraria, durante uma sessão de autógrafos de um de seus livros, em um cinema em Salvador, na avenida avant-première do filme de Nelson Pereira dos Santos, Tenda dos Milagres, adaptação do livro do mesmo nome, de Jorge Amado. Glauber filma seu amigo com muito humor e carinho, a câmera vai evoluindo lentamente sem cessar e com rapidez sobre o escritor, seus familiares, atores e atrizes do filme de Nelson e objetos de rituais de candomblé, que constituem o museu de Jorge Amado.

A Idade da Terra (1980)

O filme mostra um Cristo-Pescador, interpretado por Jece Valadão; um Cristo-Negro, interpretado por Antônio Pitanga; um Cristo que é o conquistador português Dom Sebastião, interpretado por Tarcísio Meira; e um Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado por Geraldo Del Rey. Quer dizer, os quatro Cavaleiros do Apocalipse que ressuscitam o Cristo no Terceiro Mundo, recontando o mito através dos quatro Evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, cuja identidade é revelada no filme quase como se fosse um Terceiro Testamento.