Começo de férias é mesmo uma beleza inigualável na vida de um universitário acostumado a ficar na rotina estressante de casa/trabalho/faculdade todo dia, cinco vezes por semana o mês inteiro. Quebrar a rotina é sempre uma experiência boa, com um show melhor ainda, show como esse que assisti na quinta-feira (02/07) é muito melhor!

Walter Franco está comemorando 70 anos de vida e tem um ano inteiro para comemorar, porque comemorar nunca é de mais. Comemora também 40 anos do lançamento do mais emblemático de seus discos “Revolver” (1975), disco este que começa com “Feito Gente” e termina com “Revolver”, duas canções clássicas do ex-maldito Walter Franco.

Walter Franco - Revolver (1975)
Walter Franco – Revolver (1975)

O show aconteceu no teatro do espaço Itaú Cultural. Walter, juntamente com sua banda de jovens, mas experientes músicos, apresentou ao público canções como “Me Deixe Mudo”, “Coração Tranquilo”, “Serra do Luar” e “Mixturação”, esta última, segundo comentou o próprio Walter foi censurada nos anos de chumbo e sofreu uma pequena  alteração “eu quero que esse feto saia” por “eu quero que esse afeto saia”.

“Eles disseram que ‘feto’ era uma palavra feia, e eu disse que ‘afeto’ era uma palavra bonita e então me disseram ‘olha ai, está vendo como nós ajudamos os músicos no processo de composição?’”.

Walter Franco - Itaú Cultural - 2015 (2)
Foto: Cainan Willy

Provando que “Quem Puxa os Seus Não Degenera”, Diogo Franco, filho de Walter Franco faz participação no show. Diogo começa tocando Sítar e volta ao palco para acompanhar seu pai em diversas músicas além de apresentar e encantar a plateia com canções de sua própria carreira.

No mais, você deve estar se perguntando o motivo pelo qual me referi a Walter como “ex-maldito”, acredito que atualmente sua obra é reconhecida e mais compreendida do que antes. Os jovens dessa geração, aos poucos, estão aprendendo a experimentar e respeitar trabalhos que procuram sair da zona de conforto e são de fato autênticos. Por mais tímidos que sejam estes jovens, ontem uniram suas vozes a de pessoas mais velhas e cantaram junto com Walter Franco preenchendo qualquer espaço vazio que o teatro lotado pudesse ter.

Cainan Willy