Com a aproximação da cerimônia do Oscar de 2016, algumas impressões sobre os filmes indicados já puderam ser observadas.

Confira alguns breves comentários sobre uma parte dos indicados ao prêmio, nas mais variadas categorias.

O Regresso

É difícil ignorar o fato de The Revenant ter uma direção incontestável de Iñárritu. O mexicano novamente realiza um deleite cinematográfico.

Obviamente, a produção sobre a jornada de um homem dado praticamente como morto, pouco tem a ver com a escalada existencial vista no ano anterior em Birdman, mas isso não diminui o impacto estético e técnico conduzido pelo diretor. Maestria. Todos da equipe num belíssimo trabalho.

Creed – Nascido Para Lutar

Ryan Coogler realizou algo muito especial aqui. Michael B. Jordan como Adonis e Sly deram tudo de si para que fosse algo inesquecível para os fãs.

Desde 1976 o cinema nunca mais foi o mesmo, pois o a brutalidade e a sensibilidade de único personagem confundiram-se através do tempo de uma forma que nada pode apagar, assim como uma recriação também não cabe. É um diamante inestimável.

A Garota Dinamarquesa

Tom Hooper é um cineasta bastante lírico na sua forma de conduzir os seus filmes, mas infelizmente, a roteiro adaptado por Lucinda Coxon esbarra numa narrativa burocrática e que pouco expressa, inclusive na sociedade da época, a luta de Lili Elbe.

Ainda assim, desta vez Eddie Redmayne teve uma atuação coerente e que carrega todo o filme.

Ex-Machina: Instinto Artificial

Que pedaço de arte!

Os Oito Odiados

Tarantino é um cineasta de referências. Sempre foi. Mas desde Cães de Aluguel, o seu olhar singular para plantar referências e homenagens tornou-se um vício.

A cada nova produção, mudam-se apenas os cenários, e os poucos rompantes empolgantes dos seus filmes passaram a ser irregulares e em alguns casos, como Django Livre, irritantes.

Sicario – Terra de Ninguém

Sicario é filme insurgente, perturbador e uma pintura no gênero. Denis Villeneuve criou numa atmosfera a partir do roteiro do iniciante Taylor Sheridan, algo precioso como há muito não era evidenciado.

Os questionamentos do poder, do certo e do errado e dos inúmeros maniqueísmos articulados por agências mundo afora que, supostamente, deveriam agir sob um código de justiça e legitimidade.

Perdido em Marte

Ridley Scott criou um filme otimista e até certo ponto, entusiasmante. Mas o roteiro de Drew Goddard esbarra em alguns escapismos baratos e, até mesmo Ridley coloca uma direção preguiçosa e com fracos efeitos no clímax da produção.

Youth

Paolo Sorrentino conduz, poeticamente, Michael Cane, Harvey Keitel e cia num precipício denso que exala o discurso existencial.

Desbravando com convicção, mas sem uma prepotência natural, a produção é um espelho de questionamento das certezas de outrora e, a cada plano e ironias exacerbadas pontualmente, deságua, de forma distinta, para um final inesquecível.

Ponte dos Espiões

No fim, Ponte dos Espiões talvez seja um dos filmes mais importantes e coerentes da carreira de Steven Spielberg.

Reinventor de si, o cineasta mostra amar aquilo que faz, transitando entre o entretenimento familiar e o questionador, capaz de fazer qualquer um refletir sobre a visão prepotente que os Estados Unidos propagaram entre os seus e sobre os outros.

É o cinema na sua essência, e de quebra, estrelado por Tom Hanks.

Divertida Mente

Existem coisas que transcendem a realidade. Por vezes, o aparente é apenas o aparente.

Um universo vasto a ser descoberto dentro de pequenos pensamentos e sensações adversas que compõem o nosso ser de forma que, a cada singelo instante vivido, ganha ares eternos.

É nutrir o desejo e dar voz para a inquietude onírica. Correr de braços abertos para a paciência, a sensibilidade e o afeto maior.

What Happened, Miss Simone?

Referência musical resultante da fórmula ímpar para preencher o espaço através de notas tangíveis e habilidades fora do comum.

Desafiante das certezas, embriagada pelas dúvidas, sonhadora do silêncio, odiosa dos gritos.

Senhoras e senhores, é com muita honra e hiperbólico prazer, Nina Simone!

Star Wars – O Despertar da Força

A verdade é que quando você olha para os lados e percebe a tamanha quantidade de pessoas espalhadas pelo planeta, trajadas como os personagens, e de todas as idades, você se dá conta que existe algo especial em Star Wars e que A Força é real.

Ela sempre foi. Nunca se tratou de poderes para mover objetos e controlar mentes, mas de sentimentos únicos e tão propagadores que, de geração em geração, todos se unem, para voltar para casa.

J.J. Abrams talvez fosse o menino vestido de padawan na fila do cinema comendo pipoca e você nem percebeu, por achar que ele não poderia compartilhar da mesma Força que você. É um despertar, apenas deixe entrar.

45 anos

É um filme muito puro e emocional. Andrew Haigh criou uma atmosfera completamente agridoce e pulsante, onde a veterana Charlotte Rampling ressurge numa das melhores atuações da década. E a química não poderia ter sido melhor ao lado do saudoso Tom Courtenay. 45 anos é uma joia rara.

As Sufragistas

Essencial para desconstruir velhos caminhos e hábitos gastos. A diretora Sarah Gavron conduz, com o extremo grau importância, o que é realmente relevante nos tempos atuais; empatia, igualdade e respeito. Para todos.

A Grande Aposta

Um grande petardo de Adam McKay na construção e condução de The Big Short.

O filme é extremamente relevante para os dias atuais, mas principalmente, para mostrar a todos os públicos que a economia é muito mais densa do que aquilo que ela supostamente aparenta.

E o elenco? Todos formidáveis, com destaque para Christian Bale e Steve Carell.

Spotlight – Segredos Revelados

Separando a parte da comunicação e o seu papel para a sociedade, mas partindo do princípio cinematográfico, é seguro dizer que dentre os indicados ao Oscar deste ano, Spotlight figura no topo da lista.

O filme, dirigido e escrito por Tom McCarthy ao lado Josh Singer, aparentemente é um assunto batido: os inúmeros casos de padres que abusaram sexualmente de crianças.

Mas a questão é que por mais que existissem outros trabalhos tratando disso, em Spotlight fica clara a importância de um roteiro exímio.

Steve Jobs

Quando a adaptação considerada oficial sobre um dos maiores ícones da história contemporânea acontece, nada mais natural que uma enxurrada de declarações por parte dos envolvidos na realidade para desmentir ou corroborar o mostrado nos cinemas.

Mas o triste é ver o quanto se perde em discussões sobre fidelidade ou não, quando o caminho seria o de desfrutar o filme em si. Neste ponto, Steve Jobs é uma grande obra.

O Quarto de Jack

Lenny Abrahamson soube conduzir magistralmente os sentimentos mais adversos e dolorosos possíveis numa produção repleta de lirismo e sensibilidade.

E por falar em sensibilidade, a dupla de protagonistas teve de se vestir na forma mais legítima e emocional dos seus papéis em atuações eloqüentes.

Brie Laron e Jacob Tremblay encarnaram com tamanho louvor as suas respectivas personas que o espectador acaba imergindo na densidade dos diálogos e expressões desmedidamente, selando um elo raríssimo em termos de resposta para qualquer tipo de filme.

Brooklyn

Apesar de uma primeira metade avassaladora, a beleza estética de Brooklyn não consegue ser sustentada durante todo o processo, mesmo com a melhor atuação da carreira de Saorsie Ronan.

Carol

Que Todd Haynes é um diretor de um virtuosismo espantoso, poucos sabem. E que Cate Blanchett é estupendamente uma das melhores atrizes de todos os tempos, muitos sabem.

O resultado disso, em Carol, reflete na capacidade e oportunidade de se contemplar uma obra subjetiva e de muitíssimo bom gosto. É para olhos sensíveis.

Trumbo

Chega a ser uma ironia que o filme sobre um dos maiores roteiristas da história do cinema tenha um apelo tão aquém da capacidade da narrativa mostrada. Mas sem dúvida existem pontos importantes, tanto no aspecto técnico quanto artístico na adaptação conduzida por Jay Roach.

Ainda assim, Bryan Cranstron faz o filme. Não seria nenhum absurdo o ator “roubar” a estatueta de Leonardo DiCaprio.

A cerimônia do Oscar 2016 tem data marcada para o dia 28 de fevereiro. Já escolheu seu filme favorito?

Guilherme Moreira Jr.

Guilherme Moreira Jr.

Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.
Guilherme Moreira Jr.