Quando você termina de assistir um filme do cineasta Terrence Malick, uma certeza; a sua visão do mundo foi interrompida, modificada. Em Knight of Cups, Malick fala novamente sobre o amor, mas na verdade o grito visual é para tratar da alma. E a alma disposta não é um corpo etéreo como conhecemos e como nos fora ensinado através de inúmeras crenças. A alma aqui é exacerbada, acariciando o lirismo, mas concebida para despertar o mais íntimo do ser humano, os seus pensamentos.

Poderia muito bem ser mais uma jornada sobre a existência do ser, mas o filme vai além. Como que quando você encontra um poema num livro empoeirado no qual você reconhece o seu valor e a sua antiguidade. Knight of Culps é justamente essa transposição visual de versos que remontam tempos sem precedentes da curiosidade humana. Se no seu trabalho antecessor, To the Wonder (2012), Malick resolveu explorar os caminhos misteriosos do amor, aqui, ele não apenas ressurge com essa temática como precipita uma discussão que, caso não existisse, o amor seria apenas mais um conceito; o autoconhecimento.

É de se imaginar o diálogo incessante conduzido por nós diariamente. Com dramas, angústias, alegrias, sonhos, tristezas, avarezas, ignorâncias e muitos outros subtítulos comportamentais que absorvemos durante a vida, mas que raramente partilhamos com o outro. Não por algum senso de desconfiança, ainda mais ao reconhecer ser mútua a grande maioria dos questionamentos. Mas somos travados pela nossa necessidade em traçar escapismos triviais na hora de entregar-se. O ser humano disserta tanto sobre sinceridade, mas se esquece da plenitude da fala. Da esperança genuína de poder compartilhar pensamentos sem o risco da alocação de palavras por conveniências do ouvinte.

“Trate o mundo como ele merece. Não há princípios. Apenas circunstâncias”.

Knight Of Cups - Malick 4 Knight Of Cups - Malick (2)

Todavia, apesar da estética narrativa que faz lembrar a odisseia do amor exposta por Malick em To the Wonder, Knight of Cups consegue sobressair-se através desses pequenos fragmentos de pensamentos íntimos que os personagens entregam em tela, mas que poderiam ser facilmente confundidos com os quais os espectadores, enquanto pessoas reais refletem.

Não bastasse produzir mais uma obra erudita, Terrence Malick acrescenta a importância de fazer parte da indústria cinematográfica. Mesmo sem prevalecer aos olhos do grande público, o cineasta simplesmente recomeça filme após filme, o seu amor pela arte. Mesmo quando esta desperta estranheza na alma. Haveria sentido se não o fizesse?

Guilherme Moreira Jr.

Guilherme Moreira Jr.

Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.
Guilherme Moreira Jr.