Muito se vê pela internet, principalmente em meio às redes sociais, frases e imagens as quais afirmam que os conjuntos musicais brasileiros não são mais como os de outrora. Pois houve um tempo cujos músicos eram confundidos com heróis, posto que dissessem o que precisássemos ouvir através de suas canções e acordes em um contexto socialmente conturbado.

Contudo, fico a me questionar até que ponto pode existir veracidade na afirmativa de o país ter perdido em sua qualidade musical de alguns tempos para cá. E, se assim o for, o que seria essa música de qualidade num século em que as pessoas, na sua maioria, nem sabem o que estão ouvindo?

Assim sendo, pode-se notar que uma mesma música pode ser tocada por conjuntos musicais de estilos totalmente diferentes, e dependendo do período – como o carnaval – tendem a mudar por um determinado tempo o seu formato só para atingirem um público específico. Não sei por que, mas isso me fez lembrar a teoria de Herbert Spencer – Sei que a frase soa um pouco Darwiniana – relativa à competição natural das espécies, de que “o mais apto é o que sobrevive”.

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Recordo-me de quando cursava o primeiro ano do ensino médio e minha professora de Arte, R., falava à turma que Música era a junção de Melodia, Harmonia e Ritmo. Naquela época não entendia direito o que queria dizer, mas sabia que nem todos os estilos musicais consideravam tais aspectos em seus ritos. O que hoje também não é diferente. Por assim dizer, veremos, então, essa tríade por um outro viés. Como sendo uma forma de manifestação artística. Ou seja, todo tipo de arte representa o contexto das pessoas em determinada época.

Então, antes, se tínhamos os “berros” de um Cazuza nas profundezas de sua piscina cheia de ratos; as loucuras de um Raul com sua metamorfose ambulante; ou uma poesia de um Renato querendo saber que país é esse, era porque os mesmos sabiam representar-se e apresentar-se no ambiente em que estavam inseridos. E, assim, através de suas canções, transmitiam o que as pessoas queriam ouvir em um determinado momento-ditatorial.

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Por isso, cronologicamente e veridicamente, não concordo de que os conjuntos musicais brasileiros decaíram de épocas atrás à atual. Pois, o que acontece hoje é que grande parte das pessoas sofrem uma espécie de lavagem cerebral ocasionada pela TV e não se dão conta. Ou seja, alguns estilos musicais os quais prezam mais suas “batidas” do que o conteúdo de suas “letras” tomaram conta da cultura de massa, e como consequência disso são que grandes bandas que possuem um verdadeiro conteúdo acabam ficando esmaecidas em relação àquelas.

Músicas de qualidade existem, sim, e sempre existiram em nosso país; artistas existem, sim, e sempre existirão em nosso país. Com certeza! Até mais do que em tempos atrás. O que mudou foram as oportunidades de mercado, que preferem atingir a “grande massa” com músicas ruins, enquanto outras que mereciam sucesso permanecem numa espécie de afogamento musical em que poucos conseguem nadar e sobreviver.

Porquanto, fica a questão: é melhor fazer músicas com certo teor lírico e não ser reconhecido, ou se deixar levar pelo que realmente faz sucesso? E como fazê-lo? Uma fórmula bem interessante que está acontecendo, hoje em dia, talvez seja como esta receita elaborada por mim: basta pegar um copo de barulheira de instrumentos musicais, temperado com uma letra de duplo sentido para dar aquele sabor pejorativo. Em seguida, acrescente três colheres de ignorância com uma porção de esperteza para equilibrar o gosto, e adicione a isso uma pitada de sorte. Ah! E não se esqueça de acrescentar glúteos a gosto. Misture tudo, e… Pronto! Agora é só jogar no youtube e deixar as pessoas apreciarem.

Fabrício França Costa

Fabrício França Costa

Fabrício França Costa é graduado em Letras, professor de Língua Portuguesa, pós graduando em Língua Portuguesa e Literatura brasileira e colunista dos sites Grajaú de Fato e Puta Letra.
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