Azymuth

Um dos grandes serviços que o Psicodália presta ao seu público, além de oferecer um festival multicultural com estrutura e organização, diz respeito ao cuidado com o qual a curadoria do festival promove resgates brilhantes de nossa própria cultura.

Em um país onde o povo tem memória curta, cabe ao Dália a difícil tarefa de orquestrar um line up que equilibre o novo, o hype, o independente e o analógico. Parece impossível, mas o festival chegará em sua vigésima segunda edição em 2019, mantendo exatamente essa mesma receita desde que começou.

Azymuth

Os Mutantes tocando o brilhante “Tudo Foi Feito Pelo Sol”, Cátia de França tocando o repertório do clássico e obscuro “20 Palavras ao Redor do Sol”, Terreno Baldio, Di Melo… Esses são apenas alguns resgates que o festival promoveu em sua história recente, justamente pra mostrar como a música brasileira é rica e que, apesar dos nomes do mainstream, é sabido que os grupos citados acima, apesar de esbanjarem qualidade, não tiveram a mesma sorte para chegar aos ouvidos do grande público.

E o Azymuth é um deles. Uma das bandas mais importantes da história da música brasileira, os cariocas desbravam o groove numa carreira que já compreende mais de 40 anos de história, com mais de 30 discos de estúdio e inúmeras colaborações ao lado de nomes como Marcos Valle, Tim Maia e Belchior.

Azymuth

Com uma legião de fãs na Europa, Estados Unidos, Inglaterra e Japão, o grupo formado no Rio de Janeiro em 1973 foi a primeira banda brasileira a participar do Montreux Jazz Festival. Formado por alguns dos mais requisitados músicos de estúdio do Rio, Ivan Conti (bateria), Alex Malheiros (baixo) e José Roberto Bertrami (teclados), o grupo descabelou a crítica especializada graças a sua pioneira fusão de Funk, Samba e Jazz Fusion.

Mas o que poucos sabem é que o Azymuth continua na ativa, fazendo o groove de gato e sapato com a mesma perícia dos primórdios. A única mudança recente na configuração do trio foi a entrada do tecladista Kiko Continentino para fazer as teclas no lugar do já falecido José Bertrami.

Vivendo uma fase interessante, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento obtido no país, o Azymuth vem aparecendo para novos ouvidos e segue encantando com a mesma magia de mais de 40 anos atrás. Foi com isso em mente que o Dália colocou o caras no line pra edição de 2019

Nomes como o de Moacir Santos, Airto Moreira, Arthur Verocai e o próprio Azymuth possuem mais reconhecimento fora do Brasil, uma injustiça que o Psicodália está ajudando a desmistificar, colocando o som do grupo em mais pares de ouvidos brasileiros.

Sobre o Psicodália 2019, em Rio Negrinho (SC)

A oportunidade de assistir ao Azymuth está aí, na 22ª edição do Festival Psicodália, que acontece entre 1 e 6 de março, na Fazenda Rio Negrinho. Sobre o festival, o diretor Klauss Pereira comenta que:

“A história do Psicodália foi construída com base em dois principais ideais musicais: trabalhar para criar espaço para os novos artistas, que foi a ideia embrionária do festival, e valorizar os grandes artistas que conduziram a música brasileira e mundial até onde estamos. Muitos desses artistas continuam na ativa. Testamos essa união logo nos primórdios do festival e deu cada vez mais certo. Os artistas consagrados fazem shows históricos e atraem público de todo o país e até de fora do Brasil. E esse público tem acesso às novas gerações que estão surgindo ou que já tem algum tempo de estrada, mas são desconhecidos por parte do público”.

Informações úteis

  • Data: de 1º a 6 de março de 2019.
  • Local: Fazenda Evaristo – Rio Negrinho/SC.
  • Ingressos: A partir de R$ 430,00 (meia-entrada). Os bilhetes estão à venda no site Disk Ingressos, com parcelamento em até 6x sem juros.
  • O 2º lote vai até dia 26 de dezembro. Após isso, a meia entrada passará a R$ 460,00. E, a partir de 1º de janeiro, o parcelamento passará a ser em até 3x sem juros.
  • Saiba mais no evento do Facebook e no site oficial do Psicodália.

Outras atrações musicais confirmadas no Psicodália 2019

  • Elza Soares
  • Xenia França
  • Dona Onete
  • Pepeu Gomes
  • Chico Trujillo
  • Anelis Assumpção
  • Hamilton de Holanda
  • Mulamba
  • Lucinha Turnbull
  • Amaro Freitas
  • Patrulha do Espaço
  • Soema Montenegro
  • Cordel do Fogo Encantado
  • Kiko Dinucci
  • Čao Laru
  • Aiace
  • Bacamarte
  • Luiz Gabriel Lopes
  • Mamamute
  • Picanha de Chernobill
  • Gloire ILonde
  • Confraria da Costa
  • Trabalhos Espaciais Manuais
  • Diego Perin
  • Nanan
  • Irmão Victor
  • Ramona & The Red Vipers
  • Tuatha de Danann

Guilherme Espir

Publicitário em formação, zappamaníaco e escritor de fundo de quintal fissurado em música tal qual um viciado à espera da próxima dose, neste caso aguardando em abstinência para o próximo disco.